Contraponto

Contraponto

Não me atraiam os teus olhos,
mas o que por trás deles
se vê.

Não me falem tuas palavras,
mas os silêncios
do teu ser.

Não me excitem os traços
do teu corpo,
mas a tua inteira presença por si mesma,
o peso da tua dor,
o voo da tua alegria,
a direção dos teus passos.

Depois que adormeceres,
teu respirar me diga que ainda vives,
e por isso eu te contemple, mulher,
ou pássaro,
ou criança.

E mesmo que adormeças mais fundo,
além de todo sentir,
eu mergulhe no poço de tua ausência,
para ter-te comigo,
menos saudade,
mais certeza.

Lucimar.
Natal, 21 de março de 2014, à noite.

As imagens que ilustram este poema são pinturas de Zinaida Evgenievna Serebriakova, obtidas na Internet.
Referência: http://artesehumordemulher.wordpress.com/pinturas-de-zinaida-evgenievna-serebriakova/

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Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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