Poemas gêmeos foi o título que pensei. Porque não gosto de separar estes dois, que hoje quero transcrever. Recebi conselho de só publicar um por dia, que mais de um pode cansar, que é necessário ler e reler para sentir, vivenciar. Mas hoje me perdoem: vão os dois.
Encontro
A poesia desta madrugada
não pode vir do despertar na noite mal dormida,
nem ser breve como o brilho da estrela
ou solta como o vento,
mas tem que ser – precisa ser – poesia de vida,
estreita, áspera, doída, cheia de lembranças,
dos encontros em dias de luto, dos parentes mortos.
Uma poesia que fale a verdade.
Não das pessoas que éramos quando partimos então,
mas das pessoas que somos, com tantos problemas,
das pequenas dívidas, das pequenas perdas,
das derrotas colhidas.
Uma poesia que nos retenha aqui
para uma conversa de botequim,
nós que não somos de conversar em botequim.
Que seja um diálogo comum,
de deixar falar o coração tantas vezes ferido
sobre um amor que já morreu,
ou sobre uma saudade que não se confessa.
E então seremos crianças,
percorreremos os caminhos deste encontro
com simplicidade,
na certeza de que valeu a pena sentar lado a lado,
em cadeiras velhas e salas imensas,
e retornaremos à vida daquele tempo
com o vigor que hoje não temos
e não seremos apenas um sonho,
uma lembrança embotada
do que ficou lá longe, lá longe.
Reencontro
Quando nos separamos então ninguém sabia
se ia voltar depois…
A juventude, o viço do sorriso,
a pele em flor
tudo isso ficou por aí,
pelas ruas, pelos tempos,
pelo chão…
O navio que partiu do cais de outrora,
bebeu o mar,
o horizonte, a estrela,
o espaço sideral…
Abriu as velas ao vento,
embalou-se de alísios,
despertou no amanhã…
Hoje
é o amanhã daquele tempo
e somos, aqui, neste lugar,
o concreto renascer de velhos sonhos…
Somos o que restou da lembrança de outros dias
em que estivemos lado a lado pelo mundo,
em tempos passados,
palmilhando destinos, percorrendo caminhos,
escrevendo a história desencontrada e maravilhosa
de nossas vidas…

Gostei demais da iniciativa… Estou recomendando a um colega meu do MBA que gosta de escrever poesias…
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Obrigado, amigo, por sua sugestão e por seu acompanhamento de meus poemas!
Abraço afetuoso.
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