Matemática

Às vezes a inspiração chega subitamente. Já aconteceu comigo, quando escrevi o poema sobre Matemática. Eu servia na Escola Naval e comigo o saudoso Pinho, da Turma Quevedo, irmão do Sobrinho, este da minha turma. Pinho estudava Matemática na UFRJ. Estava produzindo um trabalho sobre o Teorema de Fermat e pediu-me que escrevesse um poema, para ilustrar seu trabalho. Fiquei um mês sem escrevê-lo, até que, no dia certo em que ele devia entregar o trabalho, reclamou: Pô, você não escreveu o poema!

Fui à máquina de escrever e, sem rascunho, imediatamente me vi batendo o seguinte:

Matemática

O que dizer da Matemática?
Temática telúrica
buscando o sentido das frias essências?

Má temática, matemática?

Bom tema, teorema, lema,
lima afiada de romper as contingências
achar o fio da meada
descobrir a rima das carências e das dependências?

Esperança de encontrar a vida,
equacionar a espera do infinito,
mito ou força?

Homem,
grito de amor lançado no finito
momento-ânsia de Deus
limite-infinitésimo,

a tua lógica de números
nos números da lápide repousa
e ficará do teu canto pelo mundo
a inequação da angústia inexplicada!

Lucimar.
Natal, 24 de março de 2014.

Este fato ocorreu em 1972 ou 1973, por aí.

Edilson Pinho Sobrinho veio a falecer muito jovem, em torno dos quarenta anos, e deixou em seus amigos a lembrança de sua figura de oficial de marinha, lutador, estudioso e aplicado.

Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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