Domingos Nogueira, dia 24 de março, isto é, anteontem, perguntou se eu tinha algum poema escrito sobre a Amazônia. Na ocasião respondi que sim, mas que somente publicaria quando encontrasse uma determinada foto, que me foi enviada pelo Daltro Oliveira, numa das trocas de mensagens dos Poenautas, e que me propiciou escrever o soneto “Os Anônimos da Margem do Amazonas”. Pois bem: acabo de encontrá-la, em meus arquivos, e, por isso, vou postar não só o soneto, mas também a tal fotografia. A imagem é autoexplicativa: ela apresenta aquele pessoal que se juntava no cais para ver o navio da Marinha que chegava.
Os Anônimos da Margem do Amazonas
Eles chegavam todos, de repente,
Quando o navio se alinhava ao cais,
Se deixavam ficar, uma vez mais,
Olhando para nós, aquela gente.
Vinham crianças, mães e pais à frente,
Moradores das áreas marginais,
Tristes, silentes, simples, cordiais,
Espiar o navio, inutilmente.
Assim como chegavam, iam embora,
Tão de repente que ninguém sabia
A razão da partida, sem demora.
E o pôr do sol, vermelho, ao fim do dia,
Adormecia a terra, mundo afora,
Mas o velho Amazonas não dormia!
Rio de Janeiro, 17 de julho de 2003, 21:39.
Lucimar.
Natal, 26 de março de 2014.
PS: tenho outros poemas amazônicos. Vou mostrá-los oportunamente.
