Os barcos de Mampituba
de brancas velas austrais,
cantavam canções ligeiras,
no embalo dos meus terrais…
E as noturnas cicatrizes
das lembranças cordiais
varriam minhas tristezas,
afastando-as mais e mais…
Os barcos de Mampituba,
entre os rios do meu cais,
navegavam cercanias
dos meus voos marginais…
Povoavam muitas milhas
de saudades ancestrais,
matando-me a alma insossa
cheia de amores banais…
Os barcos de Mampituba,
retesando seus brandais,
feriam-me os pés sangrentos
de muitas fugas fatais…
Enchiam-me a casa antiga
de sons de gritos e ais,
parentes mortos, lembranças,
dores e angústias demais…
Os barcos de Mampituba,
ah meus barcos, ah meu cais,
perderam-se pelo tempo,
não vou vê-los nunca mais…
Mas eu juro pela Virgem
estrela-guia da Paz,
que os barcos de Mampituba
não os esquecerei jamais…



