Poemas amazônicos
(atendendo a pedido)
Na verdade, os Poenautas chamamos estas composições de “fotopoemas”. Trata-se de poemas compostos a partir de fotografias enviadas por outros amigos do grupo. As duas fotos que propiciaram os sonetos abaixo foram enviadas por Daltro Oliveira. Há vários outros fotopoemas, que poderão ser postados, de acordo com a receptividade, aqui, neste espaço.

1 – O menino pescador
O moleque magrelo, sem camisa,
Que encontra no trabalho seu destino,
Há muito que não sabe ser menino
Porque busca o sustento que precisa.
O sol já lhe abrasou o couro duro,
Escurecendo a pele maltratada:
Da criança que foi não resta nada
Senão o coração, ardente e puro.
Como um círio queimando, essa criança
Se levanta entre as dores da porfia
Pra voar sobre as águas infinitas…
E, ao fisgar cada peixe, ao fim do dia,
Eis um anjo, a reger, com as mãos benditas
A louca sinfonia da Esperança!
Este soneto foi composto no Rio de Janeiro, a 30 de junho de 2003. A composição foi encerrada às 04:32 hs.

2 – Moleques do Braço Norte
Numa fina canoa, à vela esguia,
Dois moleques magrelos vão à toa,
Ao sabor da corrente, em vida boa,
Gozam mansos e sãos a calmaria.
São meninos dali, daquela via,
Gigantesca vazão que ainda escoa
Do Amazonas, nas bordas da canoa,
Para o mar, que se agita em agonia.
E, se a gente atentar ao Braço Norte,
Que desliza com ares de candura,
Não percebe sequer como ele é forte!
Ele que pulsa e fere, que perfura
As margens inocentes com seu corte,
O Amazonas, divino, força pura!
Este soneto foi composto no Rio de Janeiro, a 1º de julho de 2003. A composição foi encerrada às 09:31 hs.
Lucimar.
Natal, 27 de março de 2014.