O poema de hoje não se refere a qualquer pessoa definida, mas retrata certo tipo de cidadão, tido como herói, e sua reação à crise que o acometeu.
O herói e a crise
Homem rico, sensível, diligente,
Considerado sempre como herói,
Alto, bonito, pose de caubói,
Comandava, na indústria, muita gente.
“Um poço de virtudes”, certamente,
Se propalava dele, como sói
Acontecer com aquele que constrói
Um tal império, enfim, sem concorrente.
Seguia a vida em frente, em tom normal
– Era ao menos assim que ele pensava –,
Quando ocorreu uma crise sem igual.
Não havendo mais flecha em sua aljava,
Pediu falência, fez seu embornal
E fugiu com o dinheiro que restava.
Lucimar Luciano de Oliveira
Natal, 2 de abril de 2014.