Liturgia e Presença silenciosa

Desde que comecei a postar aqui meus poemas, de vez em quando me assalta a dúvida quanto à frequência de postagem. Mas hoje vou passar além dessa dúvida, porque tenho dois outros poemas que muito têm a ver com este primeiro, que publiquei logo pela manhã.

O primeiro desses dois poemas é uma espécie de “liturgia das horas”, de todo um dia, que não precisa de explicação. Aí vai:

Liturgia

Como a flor que na relva se escondia,
entre as sombras da noite, à luz do dia
despertai!

E se a lua, nas águas mergulhada,
tremular, à silente madrugada,
amanhecei!

Mesmo a chuva molhando, a cada instante,
a estrada, a dor, o chão do passo errante,
caminhai!

Quando a luta da vida e seu cansaço
refletir-se no olhar do sonho baço,
entardecei!

E, chegando algum dia ao fim de tudo,
o vosso coração não fique mudo, 
salmodiai!

Pois, depois dessa estrada, vos espera
a casa, o encontro, o reino, a primavera.
adormecei!

O segundo tem uma pequena explicação. 

Há uma Presença. Nós a “sentimos”, não com os “sentidos”, mas com a alma. Só não a sentimos, realmente, quando não queremos ou não podemos. Muito barulho à nossa volta, muita confusão. É uma Presença Silenciosa:

Presença silenciosa

Presença silenciosa,
exigente presença silenciosa,
que me fere as entranhas, a alma,
o coração de carne.

Para escutar-te, devo calar-me.
Amortecer o barulho das paixões,
esquecer anseios, rasgar máscaras.

Estás aqui. Pressinto a tua forte, magnífica
presença.

Não és o mar, azul e áspero, 
salgado e profundo. Estás além do horizonte
longínquo e inalcançável.

Não és o vento, quase imprevisível,
cujo sopro desarruma a superfície das águas,
sutil, primordial.

Nem o céu, nem a montanha.
Palpitas além de cada semente sob a terra,
ó tu, que és luz fecunda e fulgurante,
por trás de toda esta manhã luminosa!

Quem és? Por que meu coração se inquieta
no desejo de encontrar-te?

Os que se dispuserem a meditar estes três poemas, verão que eles têm muito a ver uns com os outros, não só pela temática, mas principalmente pelo Espírito que os inspirou.

Lucimar.
Natal, 8 de abril de 2014, 10 horas.

Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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