A busca da Felicidade é o que nos move, durante toda a vida. E pode-se dizer que o Amor é o outro nome da Felicidade. Dom Quixote saiu para enfrentar moinhos de vento, mas o que buscava, de fato, era sua Dulcineia. Como Dirceu teve sua Marília, como Romeu sua Julieta, também nós, pobres mortais, vivemos pelo Amor. Daí ser este o tema preferido dos poetas. Eu não sou exceção.
Luar de Alvenaria
À mulher amada
Por essa dor que revolta
a cada passo da lida,
por essa fuga sem volta
nesses espaços perdida,
pela fera que se solta,
de desespero ferida,
quero estar sempre na escolta
do drama da tua vida…
Pela mágoa que me aperta
e me deixa a estrada nua,
e tudo que me deserta
quando perco a face tua,
por esse amor que se oferta
e me excita a carne crua,
quero ter ferida aberta
sem bálsamo que a destrua…
Pela Lua que palpita
sobre a plana da água fria,
molhando a face bendita
nas veredas da Poesia,
quando o silêncio se agita
em luar de alvenaria,
quero fazer a desdita
transformar–se em nostalgia…
Por esse amante que espera
cair a máscara da Lua,
pelo louco que a venera
nas esquinas dessa rua,
e rasga a doce quimera
que em seu coração cultua,
quero morrer como fera
nessa noite que flutua…
Pela hora consumida
que bate o sino do dia,
e pela angústia incontida
das almas que desafia,
por esse voo suicida
nas janelas da agonia,
quero te dar minha vida
Para sempre, com alegria!
Lucimar.
Natal, 9 de abril de 2014.
Este poema foi publicado a primeira vez no livro “Estado de Poesia”, em 2008.