Quando minha primeira esposa, Hildette, estava ficando esquecida, antes da enfermidade que a levou à morte, dediquei-lhe o poema que hoje lhes mostro:
Alvorecer na Rasa de Guaratiba
Na Rasa de Guaratiba
encontrei meu grande amor,
entre gaivotas ligeiras
esperando o sol se pôr…
Toda tarde, elas se chegam,
de mansinho, com ternura,
no desenho avermelhado
que antecipa a noite escura.
Na Rasa de Guaratiba,
meu bem voava com elas,
uma menina de sonho
que desenhava aquarelas.
Transformava-se em gaivota,
toda tarde, só pra ver
aquelas cores tão lindas
no berço do anoitecer.
Era tão bela a menina,
como uma flor em botão,
mas agora, coitadinha,
busca sempre a solidão.
Su’ alma está bem ferida
e foi Deus que quis assim,
só pra pagar meus pecados
quer afastá-la de mim.
Mas eu sei, meu Deus, eu sei
que ela não vai se perder
pois chega a noite depressa
e vai logo alvorecer.
Pra que ela, novamente,
pouse aqui, na minha mão,
e eu possa guardá-la em casa
bem dentro do coração!
Lucimar.
Natal, 10 de abril de 2014.
Este poema foi escrito em 2005.
Meu amigo Daltro Ollveira acaba de me recordar que este poema foi inspirado pela fotografia que o acompanha, por ele tirada quando fazia inspeção no balizamento da Ilha Grande. Ele remeteu a foto, eu compus o poema. Este é, portanto, mais um fotopoema, criado no grupo dos Poenautas. Lembro aos amigos que esse grupo é constituído por dezesseis oficiais de marinha reformados.
