Deriva

A redondilha – verso redondo – teve origem na Espanha e generalizou-se em Portugal no século XVI, referindo-se inicialmente a qualquer verso curto; a estrofe poderia usar qualquer número de versos e tipo de rima. Mais tarde passou a designar os versos pentassílábicos (redondilha menor) e os heptassílábicos (maior), em oposição popular à estrofe lírica ou heroica, decassilábica.

O poema que transcrevo abaixo – com versos quadrissilábicos – é, portanto, uma “redondilha”, no sentido arcaico:

Deriva

Quem sabe os mares,
quem sabe os mares
e seus navios,
pra onde vão?

Noutros lugares,
se me encontrares,
traze contigo
tua paixão…

Que eu quis o mundo
com seus pesares,
mas fugi sempre
da solidão…

Talvez nos mares,
os meus vagares
ondas de sonhos
encontrarão…

Hoje perdido
neste caminho
procuro o norte
do coração,

solto meu canto,
busco meu ninho,
sou como ave
de arribação!

Mas, se me queres,
mesmo velhinho,
eis que se esvai a
tristeza então.

Quem tem na vida
tanto carinho,
já não precisa
de nada, não!

Natal, 11 de abril de 2014.

Este poema foi composto, inicialmente, de forma diversa, em 2004. Sofreu depois modificações de rima, da métrica e da separação dos versos.

Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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