Quem terá razão?

Amigos:

Desde ontem estou sem o Office. Houve um pequeno “acidente” no meu computador e fiquei assim. Então estou escrevendo esta mensagem diretamente na minha página do Facebook.

Não tenho como acessar o Word, pelo menos até amanhã, e, por isso, não posso pesquisar os arquivos com meus poemas. Não faz mal.

Há um poema que está brotando de minha memória e eu não sabia exatamente a data em que o escrevi, mas acabo de consultar o “Dr. Google” e descobri que foi em final de julho ou início de agosto de 1969, até pelas informações dos primeiros versos. Vou transcrevê-lo, abaixo, exatamente como o estou recordando:

Quem terá razão?

Existe um grande esforço oficial de paz,
Nixon na Romênia,
o Papa em Uganda.
Os homens, no entanto, continuam afundados
num mar de desespero.

A terra azul caminha em seu destino
no espaço dos astronautas
e nós, homens mesquinhos, nos consumimos
como paixões inúteis.

Quem terá razão?
Sartre, Marcuse, Marx, Aristóteles,
Camus, Simone Weil, 
Du Bocage, Pirandello,
ou simplesmente a criança que atravessa a rua
debaixo da manhã de sol
e não cuida senão que não se acabe
o picolé?

Quem terá razão?
Quem terá razão?

Me digam depressa,
que hoje é meu último dia de férias,
fiquei o tempo todo sem pensar,
fiquei o tempo todo a me aturdir
e amanhã o afã de me entrosar
na concidadania dos desesperados,
me fará assumir as necessárias defesas 
de sobrevivência.

Me digam depressa!
Que eu só tenho vinte e quatro horas,
vinte e quatro horas,
vinte e quatro horas!

Lucimar.
Natal, 13 de abril de 2014.

PS: vi no Google que Nixon foi presidente americano entre 1969 e 1974 e que o Papa Paulo VI chegou a Uganda, para iniciar visita, a 31 de julho de 1969.

“A terra é azul”, disse Gagárin, astronauta soviético, a bordo da “Vostok 1”.

“O homem é uma paixão inútil” – frase atribuída a Jean Paul Sartre, pensador francês, expoente do existencialismo.

Marcuse, filósofo alemão naturalizado americano, integrante do chamado “grupo de Frankfurt”.

Marx e Aristóteles, nada a acrescentar.

Simone Weil, mulher extraordinária, judia, contemporânea de Simone de Beauvoir na Ecole Normale Supérieure, ganhou o apelido de “Virgem Vermelha”, misto de freira e anarquista. É apresentada por historiadores católicos como uma das grandes convertidas do século XX.

Du Bocage, nada a acrescentar quanto ao grande poeta português.

Pirandello, grande renovador do teatro, autor de muitas peças de grande sucesso, como “Seis Personagens à Procura de um Autor”.

Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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