Um poema, na verdade uma releitura de poema, a partir de um rascunho datado de 8 de junho de 2003, inspirado pela foto de um velho pescador na praia de Jupatituba, no Pará. A fotografia foi enviada por Daltro Oliveira.
Velho pescador
O velho pescador ensinou-me este silêncio,
o silêncio da espera, entre o mar e a vida,
e a alegria do peixe bem fisgado,
lutando contra a morte.
O velho pescador ensinou-me o gosto do sal,
do sal de ventos engelhados e frios,
entrando pela roupa, rasgando o peito,
ferindo a alma de antigas lembranças…
Tão antigas
que pareciam mortas.
O velho pescador ensinou-me que o tempo passa
no bater das ondas sobre as pedras,
no paciente preparar das tralhas,
e no lançar dos anzóis…
Como o cair da tarde e o chegar da noite.
Mas acima de tudo ele me ensinou,
a custo de muito pescar e de muito esperar,
que nesta vida tudo é eterno.
Lucimar.
Natal, 25 de abril de 2014.
