Soneto à Mãe Amada

Hoje vou relembrar a vocês que cuido, aqui em casa, de minha mãe, que vai fazer, a 16 de junho próximo, 97 anos. Ela está bastante fragilizada, permanentemente acompanhada de Cuidadoras que se revezam e, além disso, assistida por uma empresa de Home Care. Contudo, quando de alguma forma desperta de seu longo sono, é uma joia de ternura e carinho. Não sabe mais expressar em longas frases seus sentimentos, mas sussurra “Deus te abençoe” quando peço a bênção, beija minha mão, esboça um leve sorriso.

O soneto abaixo, que dedico a ela, foi escrito quando eu morava aqui em Natal – entre maio de 2008 e maio de 2009 -, na verdade a 28 de agosto de 2008, e a fotografia que o acompanha foi tirada em 16 de junho de 2012, na festa dos 95 anos dela, no Rio de Janeiro. Na foto, ela está entre minhas quatro netas cariocas, Fernanda Nascimento, Thaís PadilhaMariana Padilha e Marcela Nascimento.

Eis o soneto:

Soneto à Mãe Amada

À minha mãe, Maria de Lourdes.

Quis compor um soneto à minha mãe, somente,
Um soneto de luz, de um filho agradecido,
Que lhe dissesse o quanto o coração ferido
De gratidão se faz cativo, reverente.

Quis dizer as palavras que minha alma sente
Quando recorda a infância, esse tempo perdido,
Caminho que passou, entre sonhos contido,
Fogo-fátuo de amor, desilusão ardente.

Nem pude começar a escrever, no entanto,
Pois, vencido de intensa e terna comoção,
Ao buscar as ideias, tropecei em pranto.

Nesse instante, a Mãezinha me tomou na mão
E me pôs em seu colo, e cantou o acalanto
Que lhe chegava agora ao santo coração.

Natal, 28 de agosto de 2008, 17 horas.

Publicado a 29 de abril de 2014.

Lucimar.
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Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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