Servi muitos anos à Marinha do Brasil, uma instituição de honra e trabalho. Entre tantas experiências, uma marcou minha alma de modo especial: a vida no mar. Já apresentei aqui alguns poemas de temática marinha, testemunhando tal impressão, profunda e indelével. Eis mais um desses poemas:
Homem diante do mar
O mar me fez
calar:
sua profundidade, sua desmedida
presença,
o torvelinho das expectativas
sem solução,
mergulhos imaginários que perseguem
o infinito desejo,
a perda do sentido
(ou dos sentidos)
do adeus,
a fuga dos horizontes
imperscrutáveis,
a multiplicação das ondas
no açoite vário
dos ventos.
E, por calar-me
ante o mar profundo,
recolho, em meu silêncio,
a dimensão
de estar só.
Natal, 17 de maio de 2014.
Lucimar.
Este poema foi publicado no livro “Cais da Noite e Outros Poemas”, em 1989.
A imagem foi copiada da Internet.
