O poema que desejo postar hoje data do meu tempo das grandes paixões. Jovem, apaixonado, tenso, exigente, cheio de amor.
Sei que agora, idoso, 74 anos, ainda guardo na alma o mesmo fogo, a mesma angústia, a mesma dor de viver. Mas reconheço que não tenho mais a energia de outrora.
Eis o poema:
Náufrago
Eu náufrago,
és hoje minha ilha, ó mulher,
em tua esplêndida solidez
de sonho.
És pousada, terra firme,
branca terra de carne fêmea,
mulher fecunda de muitas luas,
salsugem, maresia,
e, menino,
me agarro, bêbado, em teus cabelos
de areia.
Natal, 9 de agosto de 2014.
Lucimar.
PS: imagem copiada da Internet.
