Lembrando um velho amigo, que me inspirou esses versos, publico hoje um soneto, escrito alguns anos atrás:
Espelho
Passei a vida em vão, não caminhei direito,
Não floresci no campo, como os alvos lírios,
Deixei passar os anos, loucos, como círios,
Abrindo o coração, o corpo insatisfeito.
Mas sempre procurei descobrir algum jeito
De encher-me de ilusões e sonhos e delírios,
E, se amores não vêm, o dinheiro adquire-os,
Seguindo a fantasia deste mundo estreito.
Contudo, em desespero, vendo o fim por perto,
Eis que busco ao redor e não vejo ninguém
Que pise, igual a mim, este pobre deserto.
Só me resta sonhar que minha alma, porém,
Como a andorinha errante, neste tempo incerto,
Há de encontrar lugar, no amanhã que já vem.
Lucimar.
Natal, 12 de setembro de 2014.
Imagem copiada da Internet.
