Hoje, um poema de Mar.
Busca
Procuro a palavra que me descreva
este profundo, lúcido e desperto
atlântico-sulíssimo, em tom de azul.
Meço o silêncio que há no ar
enchendo meus pulmões e minha alma
de uma vontade doida de voar, voar, voar,
até morrer.
Firo esse espaço que me expande ao céu,
no desencontro da tarde entorpecida,
entre nuvens volúveis
e réstias de luz.
Ouço o tempo que passa no bater de sinos,
em suas horas lentas,
por vigias de camarotes e lágrimas furtivas.
Navego este navio: meu destino sem norte
buscando o norte do destino
a direção dos meus passos,
a esperança.
E, no ritmo trôpego das ondas,
o Mar, o eterno Mar, o imenso Mar,
embala definitivamente
minha insolúvel e inexplicável
solidão.
Abraço afetuoso a todos,
Lucimar.
