Na data de hoje, 16 de outubro, meus pais Luciano e Lourdes celebraram seu casamento, há exatos 78 anos. Uniram-se pela primeira vez e assim permaneceram, unidos, até que um súbito infarto levou meu pai, na manhã de 23 de abril de 1983. Minha mãe, com 97 anos, permanece viva e mora conosco.
Pensei em homenagear a Vida, porque, sem a generosidade de meus pais, eu não teria nascido.
Busquei um poema antigo, que falasse desse amor profundo, dessa união, e escolhi o que abaixo transcrevo. Dedico-o a meus pais, Luciano e Lourdes, no dia em que completariam 78 anos de casados:
Não deixarei que partas
Não deixarei que partas de mim
tão de repente assim…
Pensavas que eu te esquecia,
que não queria saber de ti,
que tudo estava acabado?
Te enganavas.
Não deixarei
que o ar da noite me embriague a ponto
de eu não sentir o teu perfume de mulher,
disposta a tudo perder por mim,
a chorar as lágrimas que a chuva não chorou,
a ventar com a fúria das tempestades
no oceano das tuas angústias…
Não deixarei que partas. Se deixasse,
não seria eu o marinheiro de inúteis viagens
que aportei em ti como um barco
de muitas travessias
e despertei-te do torpor das enseadas chãs,
para cravar-te a âncora de sonho,
na carne de tua alma enclausurada.
Nunca partirás de mim, mulher sem norte.
Porque eu sou o teu norte,
a tua bússola, a tua estrela,
a dizer-te o caminho em mar aberto,
abrindo-te horizontes nunca imaginados,
lúcidos e límpidos de sóis vermelhos de abismo,
de morte e vida, de dor e gozo, de pranto e alegria.
Lucimar.
Natal, 16 de outubro de 2014.
