Cecília Meireles disse: “O tempo seca a saudade / seca as lembranças e as lágrimas”. Hoje, quando lembramos os entes queridos que partiram antes de nós, deixo aqui, para eles, esse pequeno poema, de homenagem:
Tempo
Ó tempo, que secas a saudade,
seca em mim a dor de hoje,
gosto de sangue na boca,
sentir de uma vida insossa
que se desmancha sem volta,
fugindo como fumaça
pela janela infinita.
Ó tempo, que secas as lembranças,
seca em mim a imagem dela,
perdida, menina, para sempre,
num gesto apenas que passou,
um voo de pássaro,
uma réstia de sonho,
um sopro de brisa.
Ó tempo, que secas toda lágrima,
seca a minha, que desliza
em face de pedra lisa,
ferida de tanta morte:
limpa meus olhos de mágoa,
traz a luz dos teus encantos
milenares.
Lucimar.
Natal, 2 de novembro de 2014.
A imagem foi copiada da Internet.
