Viver a dois é desafiador. Mas vale a pena.
Um poema, hoje, sobre esse desafio.
Conversa a dois
– A noite é para nós como um riacho,
rolando, pra chegar, quem sabe,
à madrugada de amanhã,
da qual nada sabemos,
nem se vai chegar,
pois o futuro não nos pertence
ainda…
– Você brilha como estrela
e fala como música…
– São seus olhos, seus ouvidos,
que veem luzes e ouvem música
no meu falar.
E apenas fui menino
pra embalar-te nas palavras
como criança adormecida:
fiz um carinho
para ver-te sorrindo.
– E o que será do futuro?
– Eis o futuro.
Eis o mundo, com seus perigos.
Eis a vida, que nos foi dada e um dia será tirada.
Quantos passos ainda teremos que dar?
Quantas dores, angústias, alegrias, ilusões e perdas?
Importa apenas estarmos aqui.
Importa apenas nosso olhar pela janela
a ver o céu e as nuvens e os prédios e as ruas
e tudo isso tão concreto da cidade que respira,
dos homens que correm,
dos carros que passam.
– Que faremos, então?
– Daremos as mãos, neste tempo que escoa.
Beberemos juntos o vinho que desce do céu
Pois a vida urge e se esvai, inexplicavelmente.
Quem sabe mataríamos a sede de conhecer
toda a verdade
e realizaríamos o desejo de voar pelos campos e florestas
e rios e mares,
o sonho de conhecer galáxias e universos outros,
e seríamos anjos,
e seríamos eternos…
Lucimar.
Natal, 19 de novembro de 2014.
A imagem foi copiada da Internet, em versosparavida.blogspot.com
