Encontrei um antigo poema, de 1979, de quando eu fazia o mestrado em Meteorologia, no Inpe, em São José dos Campos, SP. Entre os vários professores brasileiros, havia também alguns doutores indianos, sugerindo a nós todos que ali se convivia com cidadãos do mundo. Inspirado nessa convivência de alto nível, escrevi o poema abaixo:
Fraternidade
Vale a pena estar aqui, nesta via,
e conhecer-te, ó peregrino!
Somos irmãos desde todo o tempo
e aqui sempre estivemos, nesta estrada!
Há em teus olhos qualquer coisa que me fala,
que me toca o coração.
A poeira que te cobre a roupa
é a mesma que me suja o rosto.
Nossos suores denunciam o mesmo sol a pino
e nossa sede comum procura a mesma fonte.
Tu és a minha sombra do meio-dia
e eu a tua hospedagem da meia-noite.
Tu, a miragem do meu sonho,
eu, o silêncio da tua espera.
Quantos séculos nos separam e nos unem!
Quantos passos distamos,
quantas dores e alegrias nos irmanam!
E, no entanto, haveremos de permanecer indiferentes
até a revelação do último dia:
fomos gerados no mesmo ventre eterno!
São José dos Campos, 1979.
Lucimar.
Natal, 22 de novembro de 2014.
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