Preparando a peixada

Um soneto escrito tempos atrás me incomodava. Eu achava que o motivo era forte, mas não gostava muito do ritmo dos versos. Embora alguns sonetos de grandes poetas alternem decassílabos heroicos e sáficos – veja-se o famosíssimo “Meu ser evaporei na lida insana”, de Bocage -, um sonetista menor como eu não se pode dar ao luxo de fazê-lo. Também não gostava muito do último verso. Este deve ser, segundo dizem, o “gran finale”, o momento máximo do soneto. Então, resolvi trabalhar um pouco mais nos versos e cheguei a este resultado:

Preparando a Peixada

Depois de sete dias, sem parar,
A pesca insana e insano o forte vento
E sol e sangue e dor e sofrimento,
Barco rude que enfrenta o duro mar,

Eu chego em nossa casa devagar,
O corpo em fogo, em fogo o pensamento,
Desses dias passados ao relento,
No desejo de ao ninho me deitar.

É noite. Tudo dorme. A lua é fria.
Me aconchego a teu lado e me reclamas:
A noite é nossa, encanta e contagia…

Hoje, limpando o peixe das escamas
Para o almoço festivo deste dia,
Ainda queimam meu corpo as tuas chamas!

Espero que apreciem.

Abraço afetuoso a todos os meus leitores,
Lucimar.
Natal, 23 de novembro de 2014.

A foto é de autoria de Daltro Ollveira.

Preparando a peixada

Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

Deixe um comentário