Estou morando em Natal/RN pela quinta vez. A primeira, na infância, dos cinco aos 13 anos (1945-1953). Depois, já na Marinha, quando servi na Corveta “Forte de Coimbra”, entre 1966 e 1969. Voltei em 1973, para ser assistente do Comando Naval de Natal, ficando até 1975. A quarta vez, depois de conhecer a Edna, entre maio de 2008 e maio de 2009. Este último período foi especialmente inspirador, talvez pela lembrança da infância nestas terras, mas, principalmente, pelo recomeço da vida, depois de uma viuvez sofrida. Escrevi, então, vários sonetos, que publiquei em “Estado de Poesia” – editora Sebo Vermelho.
Passarei a mostrar alguns desses sonetos e o primeiro deles é uma recordação da meninice na Rua Araguaia, no Alecrim, quando aproveitava os rios de chuva para navegar com meus “navios de papel”.
Navios de papel
Meu sonho se perdeu, certa manhã,
Na casa branca, face desmaiada,
Paisagem singular, no chão plantada
Entre os pés de caju e os de romã…
O telhado da casa, em telha vã
Canalizava sempre a chuva ousada
Que desenhava rios pela estrada
Onde eu levava infância folgazã…
Nesses rios de chuva, aventureiro,
Brincava de navio, a vida ao léu
Comandante em meu sonho, marinheiro…
Se fixei meus desejos lá no céu,
Hoje aspiro a este sonho derradeiro:
Vim buscar meus navios de papel!
Lucimar.
A data original do soneto é “algum dia de 2008”.
Natal, 25 de novembro de 2014.
Não consegui na Internet uma imagem de criança brincando com navios de papel. Escolhi outra imagem, de chuva.
