Um sorriso

Minha primeira vida terminou a 23 de abril de 2007, quando faleceu Hildette, a primeira esposa, depois de longo sofrimento. No meio da saudade que chegou depois, recordei um fato ocorrido em seu último aniversário, a 28 de dezembro de 2006. Ela fazia 70 anos e estava muito esquecida, devido à doença.

Não houve festa, mas um bolinho com vela e a presença do nosso amigo Frei Nemésio e de algumas outras pessoas muito chegadas.

A magreza a deixava muito abatida. Sentada à cadeira de roda, junto à janela, cantamos “Parabéns” e o frade a abençoou com a “unção dos enfermos”.

Em certo momento, Hildette nos brindou com um luminoso sorriso. É sobre esse sorriso que fala o soneto abaixo.

Um sorriso

Com certeza, me lembro de um sorriso
Que ela abriu, neste canto, certa vez,
Embora não me lembre o que se fez
Pra ela rir desse jeito tão preciso.

Era um sorriso súbito, conciso,
Que aparentava muita lucidez,
Intenso, cordial, breve talvez,
Parecia um farol no rosto liso.

E me recordo tanto desse evento
Que o trago ao coração a toda hora
Pra sufocar meu longo sofrimento.

Nesse tempo de dor, que me devora,
Seu martírio a levou, em fogo lento,
Mas a imagem de luz não vai embora.

Lucimar.
Natal, 26 de novembro de 2014.

A fotografia foi tirada por mim, no dia 2 de maio de 2004. Hildette está ao lado de minha mãe, Maria de Lourdes.

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Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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