Encontrei este velho poema rascunhado, jogado numa velha gaveta, tratando de velhas saudades…
Duas rosas
Duas rosas murchas sobre a mesa,
lembrança que restou do buquê que te dei,
no dia de tua volta
do hospital.
Duas rosas,
rosa-choques,
caídas sobre a tábua lisa,
entre livros, tocos de vela, velhas molduras e retratos,
sem vida.
Como pôde restar tão pouco
de tanta existência e tanto amor?
O primeiro encontro,
o primeiro beijo,
o primeiro filho,
a primeira viagem…
Os anos seguidos,
repetidos, vividos, sofridos,
consumidos,
eu e você, os quatro filhos,
e tudo que construímos…
As dores do caminho,
a partida precoce do Marcelo…
E agora estas duas rosas murchas
estas rosas tristes,
ferindo meu coração de saudade
dos primeiros tempos…
Pudera eu rever-te,
um dia apenas,
mulher linda, olhos cor de mel,
cabelos presos, pele queimada,
vestido branco,
eterna como uma rosa
cor de rosa,
sempre-viva,
minha querida,
amada,
doce companheira de estrada…
Lucimar.
Natal, 10 de dezembro de 2014.
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