Participo a todos os meus amigos que hoje recebi a seguinte comunicação:
Prezado Comte Lucimar, participo que o senhor foi agraciado com o PRÊMIO DESTAQUE EM QUALIDADE DE TEXTO E CONTEÚDO LITERÁRIO em 2014, promovido pelo Círculo Literário do Clube Naval, pelo poema “ESPERANDO”. A premiação consta da republicação, em destaque, nesta última edição do ano de 2014 (nº 66). Aproveitamos a oportunidade para parabenizá-lo pela premiação e agradecemos a gentileza por colaborar conosco, elevando o nível de qualidade da Revista Literária Mare Nostrum, o que muito nos honra! E queremos poder contar com a sua participação! Desejamos, também, votos de um Santo Natal e de Venturoso ano de 2015, extensivos a sua família. Com apreço,
Gilberto Rodrigues Machado
Capitão-de-Fragata (Ref)
Coordenador do Círculo Literário do Clube Naval
O poema “Esperando”, acima citado, foi escrito em 1958, nos meus dezoito anos, quando, aspirante do 1º ano, na Escola Naval, na Ilha de Villegagnon, ficávamos vendo, pela janela do camarote do quinto andar, a passagem dos barcos e a paisagem de Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara. Salve os meus dezoito anos!
Esperando
É cinzento o céu, não chove ainda lá fora.
Não ouço pássaros nem sinto a luz do sol.
No entanto, paira sobre as nossas cabeças
tontas
o hálito das árvores cheias de orvalho
ferindo-nos docemente as almas sórdidas
carregadas dos vícios da cidade.
É cinzento o céu, não chove ainda lá fora.
E eu fico na janela. Eu fico esperando.
Esperando não sei quê.
Passam navios envoltos na bruma ociosa
da manhã.
Navios de longe chegam.
Navios pra longe vão.
(Hoje as águas não são verdes,
são cheias de óleo.)
Hoje as águas quase não trazem reflexos.
Existe uma estranha quietude,
uma líquida quietude.
Os ventos não sopram,
quase não se vê o outro lado da baía.
E eu fico na janela. Eu fico esperando.
Esperando não sei quê.
Tudo passa lentamente.
O tempo se arrasta cansado.
Os barcos de pesca parecem navios
sem pátria
que fogem lá bem pra longe.
Outro dia se falava em guerra.
Eles, no entanto, desconhecem política
e fronteiras no mar…
e avançam rápidos na ociosa paisagem
da manhã sem sol.
E eu fico na janela. Eu fico esperando.
Esperando não sei quê.
Rio de Janeiro, Ilha de Villegagnon, Camarote 506, dezembro de 1958.
Lucimar.
Natal, 19 de dezembro de 2014.
A imagem foi copiada da Internet.
