Brava espia

Estamos nos últimos dias de 2014. Hoje, 28/12, quero homenagear os homens do mar. Não apenas no seu trabalho duro, enfrentando a intempérie, a distância, a saudade de casa. Mas também no seu repouso sagrado. Para isso, publico o soneto “Brava Espia”, escrito para o grupo dos Poenautas, a partir de uma fotografia enviada pelo Daltro Ollveira, um dos confrades:

Brava Espia

No repouso sereno, em grande paz,
Depois de uma valente travessia,
Meu navio se entrega à brava espia
Que lhe segura a proa uma vez mais.

Foram tantas as lutas desiguais
Que juntos enfrentamos, dia a dia,
Em tormentas no mar e nostalgia
E curtindo a saudade deste cais!

Os pés na pedra fria, vejo a proa:
Cada ferro em seu plácido escovém
E a brava espia, firme, em terra boa!

A segurança e a lógica, porém,
Se esfumam na verdade, que destoa:
Sem meu navio, já não sou ninguém!

Rio de Janeiro, 3 de julho de 2003, 06:00 hs.

Lucimar.
Natal, 28 de dezembro de 2014.

PS: “espia” é o cabo que amarra o navio ao cais. “Brava espia” foi título proposto, em desafio, pelo autor da fotografia, o Daltro Oliveira, para que cada Poenauta escrevesse algum poema.

Brava espia

Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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