Poemas são como filhos
Poemas são como filhos, não se põem no lixo.
Poemas são como anseios, dores, cantos,
não se calam.
Poemas são como o sol, a lua e as estrelas,
permanecem, para sempre.
Os poemas que eu não quis, nunca vou esquecê-los.
A carta que eu rasguei,
era a que mais me tocava.
O beijo que hoje desdenho,
este, sim, é eterno.
Tudo o que passou, não passou.
Tudo o que morreu, não morreu.
O voo da ave ficou suspenso no ar,
porque a criança que havia em mim
não quer mais sonhar,
até que se recomponham totalmente,
absolutamente,
cada um dos versos, ritmos, rimas, frases
dos meus poemas desprezados.
Por isso, ó passante, que segues em minha rua,
eu te peço, pelo amor de Deus:
se vires por aí, espalhados nos lixos da cidade,
pedaços de meus poemas, picotados e tristes,
junte-os pra mim, pois não quero perdê-los…
Eles são o meu sangue, minha vida,
a eternidade da minha contingência,
a infinitude da minha pequenez,
minha verdade última e urgente.
Natal, 11 de janeiro de 2015.
Lucimar.
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