Adaptação e atualização de um poema de minha fase de protesto, dos idos de 1970:
Face de pedra
Na face de pedra da cidade,
a face de um silêncio de sol,
a face de mil faces da cidade.
No mar da praia, o gesto,
o desabrigo,
não mais ternura,
nunca mais o amigo,
o sonho, a rua, a multidão sem face,
o rosto em pedra do edifício,
o menino sem brinquedo,
a casa sem almoço.
Tudo isso e depois
tudo isso de novo,
cada dia, outra vez,
isso tudo de novo,
a cantar e dançar e chorar pelo povo,
o restaurante, a vizinha, o jantar sem tempero,
a rua, o rio, o riso, porcaria
de vida, todo dia, todo dia, todo dia
a mesma coisa.
E depois domingo,
um domingo sem graça.
Futebol já não dá, Brasil
levou de sete.
Que fazer dessa vida sem graça, que fazer
de tudo isso que grita na gente,
que fazer?
Lucimar.
Natal, 15 de janeiro de 2015.
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