Amigos:
Estou preparando a primeira versão de meu futuro livro de poemas. Eu o tinha denominado “Mar-em-mim”, mas alterei o título, provisoriamente, para “Poemas de Mar e de Paixão”. Já tenho a análise feita por meu grande amigo de marinha Ronald Guimaraes, à guisa de prefácio, e, no momento, os poemas estão sendo lidos pela Poetisa Maria Maria Gomes, telúrica, agreste, de Currais Novos/RN, que me prometeu escrever sua visão de mulher terrestre sobre minha poesia marinheira.
Para indicar como poderá ser o livro, publico abaixo o primeiro de seus poemas, recordando a origem de minha inspiração. “Primeiros versos” foi escrito em Villegagnon, na Escola Naval, nos meus dezoito anos:
Primeiros versos
Toma o meu silêncio
e desmancha-o no barulho das coisas.
Desfralda a minha angústia
no mastro descorado do teu veleiro branco e sem pátria,
do teu veleiro que foge,
na rebeldia das ondas,
para o domínio dos círculos enormes,
cobertos de azul.
Descobre o mistério de minha origem
e o profana,
entre as águas profundas de tons esquisitos.
Leva essa saudade. Essa grande saudade de tudo,
que eu encontro nas coisas bonitas,
que eu encontro no pranto dos olhos,
no pranto das águas, rolando de cima.
Eu quero que me digas teu sonho
e converses comigo intimamente.
Eu prometo esquecer por instantes
o que em verdade existe.
Eu prometo
que, sobre o palco aberto de meus olhos,
de dentro de minha comédia sem plateia,
cerrarei a cortina no fim do primeiro ato.
Haverá um momento de completo abandono.
Eu cairei em teus braços sedentos de mim
e lançarei meu apelo de redenção.
Sobre os campos,
os lírios cantarão como claras emoções.
Nos desertos,
nos rios,
nos ventos,
nas chuvas,
nas noites,
em tudo
existirá nesse instante
um silêncio curvado como em reverência.
E meus passos alcançarão a definição da vida.
E meus dedos desfiarão, em músicas divinas,
a expressão do sem-ritmo de tudo.
E, em meu segredo escondido,
dormirei o sono ardente e profundo do teu calor,
porque eu trouxe no sangue
as areias vermelhas
que a cada poente
o desejo de Deus
esparrama no céu.
Lucimar.
Natal, 23 de janeiro de 2015.
