Mais um poema, do meu próximo livro, “Mar em mim”, atualmente no prelo:
Repouso
Numa tarde como esta,
há de haver poetas espalhados
nas margens do tempo,
pessoas debruçadas nas janelas dos edifícios
espiando passar a vida,
crianças brincando nas ruas,
nos parques e nas praias.
Numa tarde como esta,
nos pátios dos mosteiros há de haver
um silêncio tão intenso,
como intenso é o azul do céu da tarde.
Há de haver um lugar numa tarde como esta
onde não tenha chegado o barulho do mundo,
onde o ritmo da vida seja o ritmo da flor nascendo,
da água brotando da terra.
Onde afinal seja possível parar,
começar, descobrir alguma coisa nova.
Há de haver um lugar assim:
sem televisão,
sem rádio,
sem carro,
sem grito,
sem morte,
sem dor,
onde a gente possa repousar a cabeça
no colo da Virgem Maria
e adormecer devagarinho, muito devagarinho,
o sono derradeiro.
Lucimar.
Natal, 27 de fevereiro de 2015.
A imagem foi copiada da Internet em: emoutrohemisferio.blogspot.com.
