O que têm entre si Homem e Mar?
Homem e mar (um poema de A a Z)
Abraças a manhã cinzenta e fria, que traz, de longe, o açoite crispado dos ventos do mar.
Beijas, no ar, o voo branco das gaivotas peregrinas, traços perdidos como desenhos vãos.
Caminhas, no espaço louco dos teus olhos, o sonho de viver, maior que todos os espaços.
Deságuas, no oceano da alma, a esperança de ser, de conhecer, de amar sem medida.
Expandes, sobre as ondas de tempo, o som interior do teu segredo, da dor, da solidão.
Fecundas, no deserto das multidões sem rumo, a véspera ansiosa de fraternidade.
Guardas, no peito ferido de punhais e anseios, o anseio das manhãs que virão, depois da dor.
Homem és, de onde estás, olhos postos no infinito, consciência e luz.
Istmo agudo entre a terra e o céu,
Janela que se abre para a eternidade,
Lamento e expectativa, luz e sombra,
Mar, de profundidades e larguras,
Nada te completa, em tua busca sem fim.
Ontem, hoje e amanhã,
Passado, presente e futuro,
Queres tudo conter.
Respiras o desejo insaciável, a
Sede imitigável.
Transpiras o suor das grandes lutas,
Urgentes, derradeiras.
Vigia dos séculos, ó homem,
Xis de toda a equação universal,
Zelador do abismo, anjo e fera.
Lucimar.
Natal, 13 de março de 2015.
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