Nesta manhã um pouco sombria, em que me toca a saudade das paixões passadas, reproduzo abaixo um poema de anos atrás. “Ribaçã” é como chamamos, no Nordeste do Brasil, essa ave de arribação que, de tempos em tempos, nos abençoa com sua passagem migratória, para os ninhos do Norte ou do Sul.

Sinto pousar em mim
teu coração enamorado.
E ele chega tão manso, inebriado,
com a leve brisa que sopra sutilmente
de palavras e silêncios,
nas mensagens que me mandas.
Ele chega e se instala em minha vida,
um pássaro em seu ninho,
ribaçã, arribação, ave migrante.
Tuas mãos me tocam, ardilosas,
semoventes, como dunas ardentes,
semeando desertos em meu peito.
E eu me faço teclado em sinfonia,
sonorizando sonhos e delírios,
no toque dessas mãos maravilhosas.
Nas mensagens que me mandas,
sinto pousar em mim
teu coração enamorado.
Um coração que arde intensamente,
impulsionando o sangue das entranhas,
no ritmo encantado do desejo.
E eu também me estremeço em tais anseios,
que minha alma se derrama, como um rio,
à procura do oceano dos teus seios.
Lucimar.
Natal, 14 de janeiro de 2016.
Versão para o inglês, por Antonio Sepulveda:
Eared dove
I can feel your enamored heart reach out for me.
And it comes gently, inebriated, carried by the light breeze that subtly whispers words and silences within the messages that you send me.
It comes and settles upon my life like a bird in its nest, like a migrant eared dove.
Your hands touch me, cunning, nimble, like burning dunes, seeding deserts in my chest.
And I turn myself into a symphonic keyboard, sounding off about dreams and delusions with the touch of those delightful hands.
I can feel your enamored heart reach out for me within the messages that you send me.
A blazing heart that goes up in flames, pushing blood into the bowels in the enchanted tempo of lust.
I also shudder at such yearnings; my soul pours out like a river, seeking the ocean of your breasts.
Lucimar.
Natal, 14 January, 2016.