Acompanho minha mãe
em sua viagem para o infinito.
Vejo-a todo dia navegando
no mar sem fim da vida
de seus noventa e nove anos.
Cabelos brancos ao vento,
levanta ondas do passado
de eu criança sem juízo
subindo em árvores de quintais baldios,
lambuzando os dedos de manga rosa,
correndo pelas ruas menino como hoje
sem destino preciso.
Acompanho minha mãe
em sua viagem para o infinito.
E de seu lado
navega meu velho pai já morto.
E ele a chama, insistente.
Ela responde: agora, não, Luciano,
ainda tenho muita coisa
que ensinar a esse filho travesso!
Lucimar.
Natal, 27 de janeiro de 2016.