Hoje é o 5º Domingo do Tempo Comum e o Evangelho de Lucas (5, 1-11) narra o episódio da pesca milagrosa:
Em certo momento, Jesus diz a Simão Pedro: “Avança mais para o fundo!” E, dirigindo-se também a Tiago e João, acrescenta: “Lançai vossas redes para a pesca”. Simão respondeu: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e não pegamos nada. Mas, pela tua palavra, lançarei as redes”.
Agindo assim, pegaram tanta quantidade de peixes que as redes se rompiam. Fizeram sinal aos companheiros do outro barco, para que viessem ajudá-los. Eles vieram e encheram os dois barcos a ponto de quase afundarem.
[…] Simão Pedro caiu de joelhos diante de Jesus, dizendo: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!” […] E Jesus afirmou: “Não tenhas medo! De agora em diante serás pescador de homens!”.
Pouco mais de nove anos atrás, a 18 de janeiro de 2007, no Rio de Janeiro, onde eu morava, compus o soneto abaixo, inspirado por uma imagem que me foi enviada pelo amigo Gil Ferreira, e que também reproduzo aqui.
Após o soneto, alguns termos marinheiros são definidos, para entendimento do leitor.
Pesca milagrosa
“– Caçar a rede, avante, a sotavento (*),
Que a onda de través nos desafia,
Entremos de lupada (**), à voz do guia,
Sem perder a cadência (***) um só momento!”.
Assim ordena o Mestre, em seu talento
De comandar o barco, com energia,
Em meio à tempestade, ao fim do dia,
No mar banzeiro (****) e no fragor do vento.
Quantas vezes perdido, em meu passado,
Fui um barco à deriva, indiferente,
Sob o açoite do mar, desesperado.
Mas, no puxar da rede, lentamente,
Muitos peixes a entrar por todo lado,
Recebi nova vida, de presente!
Natal, 7 de fevereiro de 2016.
Lucimar.
(*) – Sotavento – lado do barco por onde sai o vento.
(**) – Entrar o cabo “de lupada” significa entrar a corda “aos puxões”.
(***) – Sem perder a cadência significa ritmadamente.
(****) – Mar banzeiro: com ondas desencontradas, geradas por ventos de várias direções.