Os barcos da minha terra

Os barcos da minha terra,
de brancas velas austrais,
cantavam canções ligeiras
no embalo dos meus terrais.

E as noturnas cicatrizes
das lembranças cordiais
varriam minhas tristezas,
afastando-as mais e mais.

Os barcos da minha terra,
entre os rios do meu cais,
navegavam cercanias
dos meus voos marginais.

Povoavam muitas milhas
de saudades ancestrais,
matando-me a alma insossa,
cheia de amores banais.

Os barcos da minha terra,
a retesar seus brandais,
feriam-me os pés sangrentos
de muitas fugas fatais.

Enchiam-me a casa antiga
de sons de gritos e ais,
parentes mortos, lembranças,
dores e angústias demais.

Os barcos da minha terra,
ah meus barcos, ah meu cais,
se perderam pelo tempo,
não vou vê-los nunca mais.

Mas eu juro pela Virgem
Estrela-guia da Paz,
que os barcos da minha terra
não os esquecerei jamais.

Lucimar.
Natal, abril de 2016.

A imagem é reprodução de um Monet.
Alterei a redação original, pois Mampituba não é uma cidade litorânea, como eu pensava, mas do interior, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

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Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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