Os barcos da minha terra,
de brancas velas austrais,
cantavam canções ligeiras
no embalo dos meus terrais.
E as noturnas cicatrizes
das lembranças cordiais
varriam minhas tristezas,
afastando-as mais e mais.
Os barcos da minha terra,
entre os rios do meu cais,
navegavam cercanias
dos meus voos marginais.
Povoavam muitas milhas
de saudades ancestrais,
matando-me a alma insossa,
cheia de amores banais.
Os barcos da minha terra,
a retesar seus brandais,
feriam-me os pés sangrentos
de muitas fugas fatais.
Enchiam-me a casa antiga
de sons de gritos e ais,
parentes mortos, lembranças,
dores e angústias demais.
Os barcos da minha terra,
ah meus barcos, ah meu cais,
se perderam pelo tempo,
não vou vê-los nunca mais.
Mas eu juro pela Virgem
Estrela-guia da Paz,
que os barcos da minha terra
não os esquecerei jamais.
Lucimar.
Natal, abril de 2016.
A imagem é reprodução de um Monet.
Alterei a redação original, pois Mampituba não é uma cidade litorânea, como eu pensava, mas do interior, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
