Arlequim

O soneto que publico hoje, em versos alexandrinos, é de alguns anos atrás, mas acabo de trabalhá-lo, mudando algumas rimas. Portanto, se alguém tiver lido a versão antiga, desconsidere-a. A que vale é essa.

Arlequim

Exercitar o Amor tornou-se uma agonia,
Pois, de tanto fazê-lo o pão de minha mesa,
Deixei-me seduzir por encanto e beleza
E esqueci-me de ser aquilo que devia…

Arrastei-me a teus pés, Mulher, na fantasia
De palhaço do sonho, arauto da tristeza,
E, arlequim solitário, acabei sem defesa,
Cativo da quimera, escravo da alegria…

Quando chego a esta quadra, a derradeira idade,
Comove-me lembrar do meu tempo — do início,
Por ter jogado fora a vida e a mocidade…

E, se sinto, tão fundo, a dor de cada vício,
Também sei que este anseio imenso que me invade
É fruto da ilusão, do Mal, do desperdício!

Natal, 18 de abril de 2016.
Lucimar.
A imagem foi copiada da Internet, em: veja.abril.com.bris (2)

Publicado por frater12014

Busco aprimorar minha poesia. Faço atualmente a releitura do meu último livro, "Mar em Mim", corrigindo alguns versos de poemas recentes.

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