O soneto que publico hoje, em versos alexandrinos, é de alguns anos atrás, mas acabo de trabalhá-lo, mudando algumas rimas. Portanto, se alguém tiver lido a versão antiga, desconsidere-a. A que vale é essa.
Arlequim
Exercitar o Amor tornou-se uma agonia,
Pois, de tanto fazê-lo o pão de minha mesa,
Deixei-me seduzir por encanto e beleza
E esqueci-me de ser aquilo que devia…
Arrastei-me a teus pés, Mulher, na fantasia
De palhaço do sonho, arauto da tristeza,
E, arlequim solitário, acabei sem defesa,
Cativo da quimera, escravo da alegria…
Quando chego a esta quadra, a derradeira idade,
Comove-me lembrar do meu tempo — do início,
Por ter jogado fora a vida e a mocidade…
E, se sinto, tão fundo, a dor de cada vício,
Também sei que este anseio imenso que me invade
É fruto da ilusão, do Mal, do desperdício!
Natal, 18 de abril de 2016.
Lucimar.
A imagem foi copiada da Internet, em: veja.abril.com.br