Há coisa mais tocante, ao mesmo tempo triste e bonita, que a chuva no telhado?
Telhado de menino
Telhado meu, em musgo liquefeito,
nas goteiras de dor do meu jardim,
os teus rios de chuva, em cachoeira,
descem loucos e fortes, sobre mim!
Telhado meu, que me relembra a infância,
das ilusões sem volta, a dor perdida,
que me trazes de volta à meninice,
eu sozinho no tempo, olhando a vida!
Telhado silencioso, chão de sonho,
pendurados abismos, casas tristes,
nem sei se eu mesmo volto ou se tu voltas
nem sei se sobrevivo ou mesmo existes!
Telhado que perdi, no mar do mundo,
nos caminhos sem fim do meu destino,
e o redescubro agora, neste outono
de alma livre e coração menino!
Lucimar.
Natal, 4 de junho de 2016.
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