Na verdade, havia um antigo projeto de poema, que serviu de base para a elaboração deste. Mas a emoção da distância e da saudade promoveu uma nova forma poética.
Caminhos
Quero aprender teus caminhos,
perguntar por onde andas,
descobrir tuas estradas,
percorrê-las todo o tempo…
Quero saber dos teus passos,
de tuas horas e sonhos,
pra onde olham teus olhos
e o que me dizem teus gestos…
Quero ser bom marinheiro,
a conduzir meu navio
para chegar nos remansos
dos teus abraços serenos…
Quero banhar-me de chuva
nas ruas da tua infância
e brincar nas avenidas,
nas calçadas dos teus sonhos…
Quero cantar sob a lua
as canções de tua escolha,
que se cantavam de noite
no crepitar das fogueiras…
Quero dizer mil palavras
que soem como poesia
e que conquistem sorrisos
do teu rosto confiante…
Quero ouvir os teus segredos
que ninguém mais ouviria
e as histórias inventadas
por teu coração ardente…
Quero rezar de mão dada
contigo, junto da cama,
ajoelhados, contritos,
como as avós ensinavam…
Quero, enfim, viver contigo
no aconchego, em nossa casa,
e caminhar teus caminhos
até o final dos meus dias!
Natal, 31 de julho de 2017.
