Os barcos da minha terra
Os barcos da minha terra
de brancas velas austrais,
cantavam canções ligeiras,
no embalo dos meus terrais…

E as noturnas cicatrizes
das lembranças cordiais
varriam minhas tristezas,
afastando-as mais e mais…
Os barcos da minha terra,
entre os rios do meu cais,
navegavam cercanias
dos meus voos marginais…
Povoavam muitas milhas
de saudades ancestrais,
matando-me a alma insossa
cheia de amores banais…
Os barcos da minha terra,
retesando seus brandais,
feriam-me os pés sangrentos
de muitas fugas fatais…
Enchiam-me a casa antiga
de sons de gritos e ais,
parentes mortos, lembranças,
dores e angústias demais…
Os barcos da minha terra,
ah meus barcos, ah meu cais,
perderam-se pelo tempo,
não vou vê-los nunca mais…
Mas eu juro pela Virgem
estrela guia da Paz,
que os barcos da minha terra
não os esquecerei jamais…
Lucimar,
Natal, 22 de novembro de 2018.