Hoje, um poema de Mar. Busca Procuro a palavra que me descreva este profundo, lúcido e desperto atlântico-sulíssimo, em tom de azul. Meço o silêncio que há no ar enchendo meus pulmões e minha alma de uma vontade doida de voar, voar, voar, até morrer. Firo esse espaço que me expande ao céu, no desencontroContinuar lendo “Busca”
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Telhado de Menino
Há um poema, de uns dez anos atrás, por que tenho especial predileção. Se já o publiquei aqui, perdoem-me. É que hoje bateu no coração uma grande saudade daqueles tempos… de chuva no telhado: Telhado de Menino Telhado meu, em musgo liquefeito, nas goteiras de dor do meu jardim, os teus rios de chuva, emContinuar lendo “Telhado de Menino”
Retorno
RETORNO Homenagem a Tarciso – “Capiba” – nos dois anos de seu falecimento. Deixei a casa que antes me abrigava, no cálido silêncio do passado, o branco dos lençóis, o verde dos jardins, o cheiro bom de café, em horas matinais… Deixei as sombras das gentis figuras penduradas no céu da minha infância, constelações eContinuar lendo “Retorno”
Lírios
Mudando o tom: agora um poema menos sombrio: Lírios “Olhai os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam. E, no entanto, eu vos asseguro que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.” (Mateus 6, 28,29). Olhai os lírios: contentes, Sem trabalho ou fiação, Ostentam vestes ardentes Em cada florContinuar lendo “Lírios”
Espelho
Lembrando um velho amigo, que me inspirou esses versos, publico hoje um soneto, escrito alguns anos atrás: Espelho Passei a vida em vão, não caminhei direito, Não floresci no campo, como os alvos lírios, Deixei passar os anos, loucos, como círios, Abrindo o coração, o corpo insatisfeito. Mas sempre procurei descobrir algum jeito De encher-meContinuar lendo “Espelho”
Meridiano
Reconheço que meu poema de ontem, “Viajante”, era muito ardente. Hoje vou variar, trazendo o soneto “Meridiano”, que escrevi a 13 de março deste ano, num diálogo muito produtivo com o grande poeta e amigo Roberto Lima de Souza: O Verdadeiro Meridiano Neste tempo de dor e desengano, Quando já chega o outono da agonia,Continuar lendo “Meridiano”
Viajante
O poema de hoje é proibido para menores: Viajante Lábios quentes, vermelhos, entreabertos, Que aos meus juntei num jogo de ternura, Lábios de mel, de sal, de sol, despertos, Como a lua no céu em noite escura. Que eu beijei tantas vezes, fascinado, Olhos fundos, sentindo o rosto em brasa… O corpo em fogo ardente,Continuar lendo “Viajante”
Chuva Fria
Para o fim de semana, um poema que exprime a saudade de alguém que partiu: Chuva Fria Já faz um tempo que essa chuva fria Enche-me o coração enamorado De insólita lembrança do passado, Saudade, enfim, da tua companhia. E vejo, pelas frestas da agonia, Rua molhada, o amor de braço dado, Casal feliz andandoContinuar lendo “Chuva Fria”
Mundo Caduco
Um soneto, hoje, para reflexão: Mundo Caduco Sentei-me nesta praia, olhando o mar. Há pouco vento, apenas uma brisa Que sopra leve, anêmica, indecisa, Entre a luz do farol e o quebra-mar. Aqui cheguei bem cedo, pra pensar Sobre um mundo caduco, que agoniza Sem destino, sem fralda e sem camisa Sem direção, sem norteContinuar lendo “Mundo Caduco”
Restos
Minha amada viajou. Por isso, lhe dedico este soneto de hoje: Restos Na penumbra da sala, amarelado, Jaz um toco de vela carcomida, E eu me curvo, em silêncio, sobre a vida Que nós dois construímos no passado. Acendo a vela e o canto iluminado Acorda a noite. A sala adormecida Parece um cais emContinuar lendo “Restos”